Quinta-feira, 10 de Junho de 2004

CAMÕES, O MAIOR EMIGRANTE DE TODOS OS TEMPOS...

pomar1.gif Camões, Júlio Pomar


Desde 1977 que o dia 10 de Junho é o dia de Camões, este grande poeta universal de Língua Portuguesa.
Nascido, em 1524/1525?, não se sabe bem onde, como aconteceu com Homero, mas são várias as localidades que disputam a glória de ser o seu berço. A primeira biografia do poeta só será escrita em 1613, por Pedro de Mariz, e nem esta nos dá o local do seu nascimento. Coimbra e Lisboa guardam orgulhosamente momentos da vida do poeta, a primeira por lhe ter condicionado o seu honesto estudo de humanista, a segunda testemunha da sua longa experiência social, como ele muito bem diz:

Nesta florida terra,
Leda, fresca e serena,
Ledo e contente pera mim vivia.
..................................
Longo tempo passei,
Com a vida folguei . . .

Deixo aqui alguns dados cronológicos da vida do autor do poema épico "Os Lusíadas":

1548: Desterro no Ribatejo; alista-se no Ultramar. - 1549: Embarca para Ceuta; perde o olho direito numa escaramuça contra os Mouros. - 1551: Regressa a Lisboa. - 1552: Numa briga, fere um funcionário da Cavalariça Real e é preso. - 1553: É libertado; embarca para o Oriente. - 1554: Parte de Goa em perseguição a navios mercantes mouros, sob o comando de Fernando de Meneses. - 1556: É nomeado provedor-mor em Macau; naufraga nas Costas do Camboja. - 1562: É preso por dívidas não pagas; é libertado pelo vice-rei Conde de Redondo e distinguido seu protegido. - 1567: Segue para Moçambique. - 1570: Regressa a Lisboa na nau Santa Clara. - 1572: Sai a primeira edição d’Os Lusíadas. - 1579 ou 1580: Morre de peste, em Lisboa.

Apesar do seu esforço para ser feliz, não conseguiu e morreu sozinho, porém o valor da sua obra encarregou-se de perpetuar o seu nome.


Da sua vasta obra deixo apenas alguns exemplos de como Camões demonstrou, através da lírica, o seu amor e a sua solidão:

Alma minha gentil, que te partiste
Tão cedo desta vida descontente,
repousa lá no céu eternamente
e viva eu cá na terra sempre triste

Se lá no assento etéreo onde subiste
memórias desta vida se consente
não te esqueças daquele amor ardente
que já nos olhos meus tão puro viste.

E se vires que pode merecer-te
algüa coisa a dor que me ficou
da mágoa, sem remédio, de perder-te,

roga a Deus, que teus anos encortou,
que tão cedo de cá me leve a ver-te
quão cedo de meus olhos te levou.

--------------------------------------------------------------------------------
Ah! minha Dinamene! Assi deixaste
quem não deixara nunca de querer-te
Ah! ninfa minha! Já não posso ter-te
tão asinha esta vida desprezaste!

Como já para sempre te apartaste
de quem tão longe estava de perder-te?
Puderam estas ondas defender-te
que não visses quem tanto magoaste?

Nem falar-te somente a dura morte,
me deixou, que tão cedo o negro manto
em teus olhos deitando consentiste!

Ó mar, ó céu, ó minha escura sorte!
Que pena sentirei que valho tanto
que inda tenho por pouco o viver triste?

***************************************************************************
Definição do AMOR

Amor é fogo que arde sem se ver,
é ferida que dói e não se sente;
é um contentamento descontente,
é dor que desatina sem doer

É um não querer mais que bem querer;
é um andar solitário entre a gente;
é um nunca contentar-se de contente;
é um cuidar que ganha em se perder.

É querer estar preso por vontade;
é servir a quem vence, o vencedor;
é ter com quem nos mata, lealdade.

Mas como causar pode seu favor
nos corações humanos amizade,
se tão contrário a si é o mesmo AMOR?



publicado por linade às 00:17
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