Domingo, 28 de Março de 2004

CATULO: A PAIXÃO POR LÉSBIA

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Gaius Valerius Catullus ou mais conhecido por Catulo, nascido crê-se em 84 a.C. e morrido a 54. De uma família abastada da ordem equestre, em cuja casa costumava hospedar-se Júlio César. Teve vida fausta em Roma já aos vinte anos de idade. Aí conheceu e amou apaixonadamente Lésbia (Clódia) que seria uma profunda marca nos seus poemas líricos. De temperamento emotivo, oscilante entre a afeição exaltada e o ódio maledicente, na sua ligação com Lésbia, aristocrata romana, bela e culta, mas de costumes livres.
Catulo foi o maior lírico da sua época e de toda a literatura. Possui 116 composições; nas primeiras das quais, especialmente no Poemeto de natureza épica "Para as núpcias de Peleu e Tétis"; depois a experiência da vida e do amor por Lésbia desenvolveram nele a genialidade do pensamento.
As suas poesias são elegantes e sinceras, mas muito livres e muitas delas inspiradas pela paixão ardente pela famosa Lésbia (nome verdadeiro de Clódia).



Verona – séc. I a.C.

Vivamos, minha Lésbia, e amemos,
e os murmúrios dos velhos mais severos
dêmos-lhes a todos o valor de um centavo!
Os sóis podem extinguir-se e voltar:
mas nós, uma vez que se extingue a breve luz do dia,
temos de dormir uma só noite, para sempre.
Dá-me mil beijos, depois um cento,
e mais mil, depois outro cento,
depois outros mil, e mais cem.
Em seguida, quando juntarmos muitos milhares,
misturamo-los, para que não saibamos
ou nenhum malvado possa invejar-nos,
quando souber que os beijos foram tantos.

Maria Helena da Rocha Pereira, Romana, pp. 93-94 Coimbra, 2000.


«Odeio e amo. Perguntarás como isso possa ser.
Não sei, mas sinto-o, e é um tormento.»*
é como um vazio devorador
um simples toque de luz encantador
não vejo nada
de tanto
iluminar, abdicar, dar, amar, ofuscar o sublime
com a sua própria face - só luz.

[Há noites em que as estrelas mudam sorrateiramente de lugar, fazendo desvios rápidos. Escrevem no céu traços de luz que só devem ser vistos por uma pessoa de cada vez.]

Calor que aleija ao andar na ilusão
a luz ainda não me deixa ver!
é preciso fechar os olhos para criar a pálida alma só
no deserto, caminhando entretida a contar os grãos de areia
impedindo a noite de se fazer negra e fria.

*Catulo
(LXXXV.1-2)
Maria Helena da Rocha Pereira, Romana, p. 96, Coimbra, 2000.


A paixão de Catulo por Lésbia deu origem a poesias amorosas, mas também a epigramas ofensivos e, mesmo, obscenos.

publicado por linade às 20:05
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